A maçã apodreceu em minhas mãos
Não foi culpa da fruta
Era a pressa que habitava meus dedos
Foi sedo demais
Foi sede demais
E então estragou
O tempo riu de mim
Ele zomba da gente
Diante do seu infinito mistério
E zomba mais por não haver mistério algum
Mas escárnio maior é a carne que também apodrece
Não é culpa minha se eu não entendo o tempo
Que a têmpora embranquece
Minhas mãos estavam limpas
mas a fruta estragou
Não sentirei o sabor
Não saberei
Subitamente me pego a pensar
Que a fruta era única e o tempo levou
terça-feira, 6 de outubro de 2009
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