quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Do Outro Lado do Espelho

O outro lado do espelho
É a lodo oculto
Que cultuo tristemente
De tanto pensar
Até doer a mente
De tanto tentar
Decifrar
De tanto correr atrás
De algo que nunca
Vou alcançar

A luz
Tão rara
Quase morta
Em
Meu caminho
E eu bato
Em
Sua porta
Fugindo
Do que fingi a vida
Pois bater na porta
Não importa
A casa estará sempre
Vazia

O BÊBADO

Era uma triste mistura
De fred Ateire
E Chales Chaplin
Vindo em minha direção
Na rua a escuridão
Estranhamente me fascinava
De lá pra cá cambalava
Dizia palavras estranhas
Que parecia uma outra língua
Palavras que parecia poesia
Ou uma canção melancólica
Talvez uma crítica
À sua vida alcoólatra
Aquela figura triste
Ah...
Aquela figura triste
À procura de Marlene Dietrich

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Encanto na Sala de Estar

o tic-tac do relógio
Negro
Na sala obsoleta
e o mórbido absoluto
silêncio
do estranho lugar

intactas
as pessoas não se moviam
paradas à pensar
como cactos
no deserto onde nada
acontece
nem acontecerá

o cheiro de morte
impregnava o ar
todos inertes em cantos
encanto
na sala de estar

eram estátuas humanas
sem palavras à pronunciar
sem gestos
nem movimentos
sem luz
nem sentimentos
eram apenas pessoas na sala
de estar

o tic-tac do relógio
e o gato negro à observar