domingo, 3 de agosto de 2008

A TORRE

As crianças brincam
No meu jardim
Entre rosas secas
Na grama morta
Pisam as folhas cinzas
Com os pés descalço
Do alto
De minha torre
Em minha cela
Sinto o riso
De um sonoro infantil
Que me deixa triste
E que também me prende
Cada vez mais
No caostrofóbico
Comodo negro
Sei que são coloridas
todas as infâncias
Mas só enxergo
Em preto e branco
Queria sentir as cores
Do universo sortido
Que as crianças sentem
Mas só sinto as dores
Que o meu corpo sofre
Em atrofiar-se
Dentro de si
Também
Sei que
Vão embora elas
Que sei
Elas embora vão
Porque a chuva não tarda
(O céu esta cinza)
Brincar na chuva até
Que era bom
Mas os trovões amedrontam
(Em quanto a chuva não vem)
Brincar é o presente
E mesmo sabendo que choro
Brincarei com os olhos
De ser criança também
Esquecerei...

Um comentário:

Anônimo disse...

sem dúvida, um dos seus melhores textos! fiquei apaixonada por este !!